Para identificar se uma empresa está fora do controle dos seus próprios fundadores, olhe para o captable.
Se o captable mostrar que a empresa passou por mais diluições do que 30g de whey protein no seu pré-treino, algo de errado não está certo.
Caso não esteja familiarizado com este termo, o captable (tabela de capitalização) mostra a estrutura de propriedade de capital de uma empresa.
Ou seja, quem possui ações ou títulos representativos de ações na empresa e em qual quantidade.
Para entende melhor o que é captable, falamos bastante sobre isso aqui:
A maioria dos fundadores de primeira viagem nunca lidou com isso e, eventualmente, são mau aconselhados sobre o assunto.
Por que pensar em captable desde o início?
Em startups, a expectativa dos fundadores e dos investidores não está – necessariamente – na distribuição de lucros ou dividendos.
Startups focam em se valorizar como ativo financeiro.
O elemento que representa o quanto cada um dos acionistas detém em patrimônio na empresa é o número de ações e o valor de cada uma delas.
Em uma startup madura, a estrutura de divisão em ações é normal. Empresas tendem a se transformar em uma Sociedade Anônima de ações.
Mas no início, as ações do futuro são apenas quotas de uma Sociedade LTDA.
Essas quotas são negociadas entre sócios, alinhadas em Acordos Societários e diretamente vinculadas ao capital social da empresa.
No entanto…
A estrutura de distribuição de patrimônio em ações (atuais ou futuras) vai ser alterada a cada captação de investimentos, outorga de participação via vesting, opção de compra, partnership, contratos com advisor etc.
A melhor forma de gerir tudo isso é através da gestão de captable.
Você pode fazer isso em uma planilha ou através de plataformas online.
Dentro dessa dinâmica, as decisões que você toma no dia a dia vão impactar diretamente a valorização ou não da sua startup como ativo financeiro.
Decisões que desvalorizam sua empresa
Eu quero listar aqui algumas decisões que vão impactar a valorização da sua empresa no médio e longo prazo.
Primeiros investidores com participação em excesso
Às vezes, não é possível começar apenas com capital próprio (bootstrapping). Captar investimentos vai ser necessário, mas evite ceder mais da metade das ações no pré-seed ou seed. Utilize cláusulas de diluição em todos os contratos.
Spin-offs com âncoras no pé
Startups que nascem dentro de universidades / instituições científicas etc., costumam dividir a participação societária pela metade com esses players. Este não é o melhor cenário para o longo prazo. Utilize mecanismos jurídicos como tag along para negociar a diminuição dessa participação.
Equity morto com sócios inativos
Não é raro empresas onde há sócios não ativos na operação, mas que detém participação na empresa. Quando essa participação supera 2%, é preocupante. Existem mecanismos de recompra que podem auxiliar nesse tipo de situação.
Grande volume de investidores pequenos
Se você vai captar com anjos, evite um volume alto de investimentos pequenos, com diferentes investidores. Ainda, evite usar contratos de mútuo com termos diferentes. Padronização é importante para manter o controle das coisas no captable.
Dizer sim para tudo é uma ‘latada’
Sem romantismos: eu sei que o dinheiro é importante para a sua empresa, mas saiba dizer NÃO às condições ou exigências impostas por investidores. É preferível limitar o seu acesso a capital, mas manter a qualidade do dinheiro que entra.
Trate sua empresa como um ativo em cada decisão
Para fundadores de startups, a vida se resumirá à empresa durante alguns bons anos e o objetivo final pode não ser tão agradável se você não tomar boas decisões no começo.
Mantenha o controle da sua empresa nas mãos dos fundadores pelo menos até a captação pós seed.
Isso vai manter o seu captable saudável e vai valorizar a sua empresa como ativo financeiro – para você e para os seus investidores.