Como implementar o Vesting na sua empresa

Gerir pessoas está entre os maiores desafios de qualquer empreendedor. Implementar o vesting está entre esses desafios.

De algum modo, existem setores do mercado ou vagas específicas que continuam ociosas pela falta de mão de obra qualificada.

A concorrência por talentos qualificados é intensa, e isso se torna ainda mais evidente em startups, onde atrair e reter talentos é parte fundamental do sucesso de suas operações.

As ferramentas para atrair e reter talentos se tornam vitais para o sucesso de uma empresa, e – talvez – a mais famosa dessas ferramentas seja o VESTING.

Em meio a muita desinformação a respeito deste assunto, vamos trazer um pouco de luz a este tema.

O que não é o Vesting?

Antes de entrar em detalhes sobre o Vesting, é importante deixar claro o que não é Vesting:

  • Vesting não é uma forma de remunerar colaboradores;
  • Vesting não é a mesma coisa que uma Opção de Compra;
  • Vesting não é a mesma coisa que Plano de Stock Options;
  • Vesting não é um contrato para operações de investimento;

A explicação sobre cada um dos temas acima você pode conferir em outros artigos do nosso blog pesquisando pelas palavras-chave.

Feito o disclaimer inicial, vamos ao que é o Vesting – de verdade.

O que é o Vesting?

O vesting é um mecanismo jurídico que permite que uma sociedade conceda a alguém o direito de adquirir participação societária ao longo do tempo e/ou ao atingir determinadas condições.

A implementação correta deste mecanismo pode ser um atrativo poderoso para profissionais altamente qualificados e, por isso, é muito utilizado com colaboradores importantes.

Funciona como uma forma de recompensar os colaboradores que permanecem na empresa a longo prazo, que apostam desde o início do projeto e que ajudam na construção do negócio.

No entanto, o vesting também pode ser utilizado entre os próprios sócios da empresa, como forma de garantir o envolvimento e penalizar a saída antecipada ou a falta de entregas de um sócio.

Nesses casos, é comum que as regras e condições do vesting estejam no Acordo de Quotistas ou no Memorando de Pré-Constituição, a depender do estágio de formação da empresa.

Quais as vantagens de implementar o Vesting?

Através do vesting, as startups podem oferecer aos colaboradores a possibilidade de se tornarem parte do negócio, não apenas um empregado ou prestador de serviços.

Ao oferecer um incentivo tangível para o comprometimento e a contribuição a longo prazo, o vesting pode ajudar a empresa a atrair profissionais de alta qualidade.

Além disso, vesting também é uma ferramenta eficaz para reter talentos.

Como a aquisição de participação ocorre ao longo do tempo, o vesting cria um incentivo para que os colaboradores permaneçam na empresa e contribuam para o seu crescimento a longo prazo.

Isso é especialmente importante em startups, onde a rotatividade de funcionários pode ser alta, gerando custos operacionais que são pouco calculados – muitas vezes, ignorados.

Como implementar o Vesting na prática

Ao utilizar o mecanismo de vesting em um contrato ou acordo de quotistas, é importante considerar dois conceitos fundamentais: cliff período aquisitivo.

cliff é uma espécie de período probatório que o colaborador precisa cumprir antes de adquirir qualquer participação.

Normalmente, este período dura em torno de um ano, mas é totalmente flexível e pode ser definido de acordo com as necessidades de cada startup.

Depois desse período inicial, começa o chamado período aquisitivo, que é quando o colaborador começa, de fato, a adquirir a participação na empresa.

A proporção dessa participação vai aumentando gradativamente durante um período pré-estabelecido, que geralmente varia entre 3 e 5 anos.

No final desse período, há a possibilidade de conversão da participação adquirida em ações da empresa, tornando o colaborador um sócio de fato.

Dá uma olhada no exemplo abaixo:

  • A SAFIE decidiu outorgar a João, um advogado f%da do nosso time, um contrato de vesting que dará direito a 5% de participação na empresa – para facilitar a conta, vamos imaginar que tem 100.000 quotas, logo 5% são 5.000 quotas.
  • O contrato tem um “cliff” de 12 meses, o que significa que João terá que trabalhar por pelo menos um ano na SAFIE antes de receber qualquer participação na empresa.
  • Além disso, o contrato estipula um período aquisitivo de 3 anos. Isso significa que, após o período de cliff, as quotas começarão a “vestir”, ou seja, se tornarão efetivamente de João.
  • Como o período aquisitivo é de 3 anos, as quotas serão divididas em 36 meses. Então, a cada mês após o período de cliff, João adquirirá aproximadamente 139 quotas ((5000 quotas / 36 meses) arredondado para cima).
  • No entanto, é importante notar que a aquisição dessas quotas está condicionada ao desempenho objetivo de João e ao atingimento de KPIs específicos.
  • Isso significa que se João não cumprir as metas estabelecidas, ele pode não receber a totalidade das quotas, ou até mesmo, não receber nenhuma, dependendo do que for estipulado no contrato.
  • Se João cumprir todas as metas durante os 4 anos (1 ano de cliff + 3 anos de período aquisitivo), ao final desse período, terá adquirido a totalidade das 5.000 quotas e se tornará um sócio da SAFIE, com uma participação de 5% na empresa.

É claro que este é um exemplo simples e, na prática, os contratos de vesting podem ser muito mais complexos, com diferentes períodos de cliff e aquisitivo, diferentes condições para o cumprimento de KPIs, etc.

Mas a ideia básica é essa: alinhar os interesses dos colaboradores com os da empresa, incentivando-os a permanecerem na empresa e a atingirem suas metas.

Sobre os cuidados que você deve ter ao contratar o seu time, leia este artigo do nosso blog.

Nem preciso dizer que o programa de vesting também deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da empresa, evitando que seja aplicado de forma irrestrita ou sem critérios.

Agora que você já sabe o que é e o que não é Vesting…

Não vai mais passar vergonha falando que vai implementar Stock Options na sua empresa que acabou de começar ou que vai usar o Vesting para captar um investimento anjo.

O contrato de vesting pode ser uma ferramenta poderosa para startups em busca de talentos, mas você precisa alinhar isso à sua estratégia e lembrar que equity é a moeda mais cara de uma startup.

Se você acredita que o vesting pode ser uma boa estratégia para a sua empresa, fale com o nosso time.

Já ajudamos centenas de empresas a se estruturarem juridicamente, inclusive, implementando programas de vesting para atrair e reter talentos.

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