A gestão de captable em startups ainda é subestimada pelos fundadores, e nos sentimos no dever de explicar o passo a passo para você não cometer esse erro mais.
O captable, ou tabela de capitalização, é um gráfico ou planilha que mostra como o patrimônio líquido de uma empresa está distribuído entre seus sócios ou acionistas.
Ela indica ativos líquidos relacionados às participações na empresa, ou seja, mostra o valor que cada ação ou quota representa para o seu proprietário.
Se um acionista ou sócio decide vender sua participação, qual seria o seu valor considerando o valor de mercado (valuation) da empresa? O captable tem a função de dar essa resposta e mantê-la atualizada ao longo do tempo. ⏳
Embora seja aplicável a qualquer tipo de empresa, o captable é utilizado principalmente por fundadores de startups e empresas inovadoras.
Essa preferência se deve ao fato de que as startups costumam passar por diversos eventos de liquidez, rodadas de investimento, fusões e aquisições e até Ofertas Públicas Iniciais (IPOs), que influenciam a distribuição do patrimônio líquido da empresa.
Em empresas de capital aberto (S.A.), o captable detalha todo o capital social da empresa, como ações ordinárias, ações preferenciais, warrants e títulos conversíveis (mútuos, SAFE’s e notas conversíveis, por exemplo).
Se você não está familiarizado com o Simple Agreement For Future Equity – SAFE,confira este artigo. 👈🏼
Além de facilitar o gerenciamento do controle das participações da empresa, o captable é crucial para decisões financeiras relacionadas à entrada e saída de sócios, processo de fundraising e definição de valuation.
O que ninguém te diz é que gestão de captable não é só para S.A. ou empresas de grande porte. Ao menos, não para as startups.
Confira abaixo como estruturar e gerir o seu captable no dia a dia da sua startup.
Gestão de captable em startups começa no day one
Um captable simples mostrará como o capital social da empresa está distribuído, os investidores individuais, títulos conversíveis e o preço líquido de cada participação.
Cada decisão financeira que impacta as participações – sejam em quotas ou ações – e o valor de mercado da empresa leva em consideração a distribuição de seu captable.
Precisão, personalização de acordo com as necessidades do negócio e atualizações regulares são essenciais para basear decisões nas informações mais recentes.
Startups geralmente têm uma estrutura corporativa enxuta, incluindo fundadores, investidores anjo, family, friends and fools e títulos conversíveis, como vesting, oferecidos aos colaboradores de ‘alto valor’.
Manter um registro da participação de cada pessoa na startup se torna cada vez mais importante à medida que ela cresce e capta capital através de rodadas de investimento.
O captable deve ser atualizado após cada rodada de investimento, mostrando como as participações são diluídas e divididas entre novos stakeholders ou titulares à medida que a empresa cresce.
Mesmo que a startup esteja em early stage, é aconselhável gerenciar o captable da sua empresa para evitar problemas futuros em eventos de liquidez.
Imagine um cenário onde os fundadores recebem uma oferta de compra, mas a operação é prejudicada porque não está claro quanto cada titular de quotas, ações ou títulos conversíveis tem direito após as rodadas de investimento e sucessivas diluições.
Consegue visualizar o caos? 🤯
Ao criar o captable nos estágios iniciais do seu negócio e mantê-lo atualizado, você evitará diversas dores de cabeça no futuro.
Veja como criar e ‘sustentar’ um captable para chamar de seu
Como você viu no tópico anterior, o captable tem a função de listar a participação de cada fundador, investidor ou titular no capital social da empresa.
Normalmente, os nomes dos titulares são listados no eixo Y (vertical) e a quantidade e tipos de participação no eixo X (horizontal).
Você pode listar os titulares seguindo esta sequência:
Sócios Fundadores
Colaboradores com vesting ou opção de compra
Investidores anjo e advisors
Fundos de venture capital
Outros que não estão envolvidos operacionalmente, mas têm uma participação na empresa.
Vamos simular um captable para uma startup com uma avaliação de BRL 5 milhões considerando as seguintes informações:
Fundador 1 possui 34,2% da empresa = BRL 1.710.000
Fundador 2 possui 12,5% da empresa = BRL 625.000
O pool de vesting para colaboradores é 12% = BRL 600.000
4 investidores anjo detêm os 41,3% restantes da empresa = BRL 2.065.000
O valor total da empresa é de BRL 5.000.000, e as porcentagens somam 100%.
Um captable simples para esse caso seria apresentado assim:
Claro que este é um exemplo simples em um cenário favorável.
Não é raro startups que fazem rodadas com múltiplos investidores, advisors e stakeholders envolvidos, tornando a gestão do captable bem desafiante. 📊
Como as empresas estão em constante evolução, a distribuição de participações vai mudar, exigindo que o captable da startup seja atualizado continuamente.
O captable acompanha todas as iniciativas que envolvem equity na empresa, garantindo um retrato preciso do balanço de ativos líquidos para os titulares em quotas ou ações.
Busque ferramentas para te ajudar na gestão do seu captable
O quanto antes você começar a fazer o dever de casa em relação ao captable, menos trabalho você terá no futuro.
Fundadores de startups precisam ver o captable como a tela de distribuição do patrimônio líquido das participações.
O captable mostra, literalmente, o quanto de dinheiro você consegue colocar no bolso no fim do dia.
Essa percepção vai ajudar muito na hora de sair distribuindo equity por aí.
Se ainda está com dificuldades para gerenciar o captable da sua startup, você pode se cadastrar no SAFIE cap, que ajuda fundadores a cuidar do seu maior ativo financeiro.
Neste artigo vamos te explicar o que é e qual a finalidade do Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais – RIPD e porque ele é importante para sua empresa.