Como fazer captação de investimentos para startups no Brasil?

O processo de fundraising para startups é sempre desafiante. Neste artigo, vamos te apresentar um caminho para construir o relacionamento com investidores e como fazer captação de investimentos para startups no Brasil (sim, lá fora o cenário é um pouco diferente).

O processo de captação de recursos para startups em early e growth stage envolve a busca de investimentos financeiros para ajudar a empresa a crescer e se desenvolver depois de uma validação inicial.

Cada tipo de investimento é destinado para uma fase diferente da empresa, desde o investimento pré-seed até um Série A, B, C, etc… 

Em alguns casos, as startups recorrem ao IPO – Inicial Public Offering, que é a oferta de ações da empresa na bolsa.

No Brasil e na América Latina, em específico, temos visto uma tendência pujante de investimentos corporativos, ou CVC – Corporate Venture Capital.

O modelo de CVC se caracteriza por uma empresa ou grupo de empresas maiores que investe em startups para explorar pontos de sinergia em relação à solução final ou mesmo para incorporar a startup.

Entender cada um desses modelos é importante para quem decide se aventurar no mundo das startups, pois em algum momento será necessário captar investimento, seja para sobreviver por mais um tempo ou para escalar uma solução validada.

Hoje, vamos focar mais no cenário dos investimentos early stage, ou seja, pré-seed e seed capital, em específico, o investimento-anjo.

Isso porque esse tipo de investimento está aquecendo o mercado brasileiro nos últimos meses – um efeito claro da crise no mercado de venture capital em todo o mundo.

Por isso, queremos te ajudar a se preparar para a captação de investimentos para startups no Brasil com algumas dicas valiosas de quem está há alguns anos ajudando startups em fundraising e sabe o “caminho das pedras”.

Qual a diferença entre pré-seed e seed na captação de investimentos para startups?

Dizem que quem é amigo de verdade apoia os seus projetos – ainda que não acredite tanto neles (rsrs).

Quando se fala em startups em estágio inicial, existe um tipo de investimento que retrata o jargão acima, o chamado investimento FFF, ou Family, Friends and Fools.

FFF é o tipo de investimento feito por amigos, familiares ou “tolos” que apostam no seu negócio quando ainda não há indícios muito claros de que ele vai dar certo.

Muitas vezes, recorrer ao FFF é a única forma de tirar o negócio do papel, já que nem todos os empreendedores conseguem custear a operação da empresa do próprio bolso (bootstrapping).

a. Investimento pré-seed

O investimento pré-seed costuma ser aquele realizado em um estágio muito prematuro da empresa, antes mesmo do início das operações, quando o MVP – minimum viable product ainda está sendo criado.

Como ainda não há resultado, o investimento nessa fase é feito com base na confiança dos investidores nos fundadores ou na ideia da solução e, por isso, o pré-seed é predominantemente feito por família e amigos.

A melhor coisa a se fazer para captar um investimento dessa natureza é se munir de muita pesquisa, dados, estudos de mercado e informações que demonstrem o potencial do seu negócio e o mercado endereçável.

Também será um diferencial a qualificação dos fundadores.

b. Investimento seed

Como nem sempre é possível achar amigos, familiares ou “tolos” para investir no seu negócio quando ele ainda está só no power point, a maioria das startups que precisam se financiar recorrem ao seed capital.

Esse tipo de investimento se caracteriza como o que é destinado à validação do produto, serviço ou modelo de negócios, aquisição dos primeiros clientes, formação de times e marketing.

Por ser um investimento inicial, a ideia é servir como adubo para a semente brotar (daí o “seed”).

Como a startup já demonstra sinais de que o produto ou serviço está validado, percebe-se agora a presença dos investidores-anjos – com ou sem smart money.

  • Investidor-anjo: é a pessoa física que empresta dinheiro (mútuo) para startups em estágio inicial em troca de uma futura participação acionária, auferindo os resultados do investimento através da valorização do negócio (valuation) em rodadas futuras e eventos de liquidez.

  • Smart money: é uma expressão que indica a soma de um investimento com a inteligência e experiência do investidor, que pode entrar no conselho administrativo da empresa ou fazer conexões importantes que vão colocar a startup em um novo patamar.

Entenda o cenário de investimento pré-seed e seed no Brasil

A Associação Brasileira de Startups (ABSTARTUPS) lançou recentemente o mapeamento de startups deste ano (2022), com dados e informações relevantes sobre o cenário brasileiro do ecossistema.

A pesquisa é quantitativa e utilizou uma amostra de 1.753 startups por meio da autodeclaração, com 99% de nível de confiança e 3% de margem de erro. Você pode conferir aqui.

Como observamos no gráfico abaixo, quase 40% das startups que participaram da pesquisa receberam investimentos em 2022 e, pelo menos, 39% desses são do tipo investimento-anjo:

Um outro dado relevante é que 17,6% dos investimentos foi categorizado como seed. Como existe uma diferenciação entre investimento-anjo e seed na pesquisa, é provável que esses 17,6% sejam de grupos de investidores e venture builders, por exemplo.

Ainda dentro dos investimentos considerados seed e pré-seed, podemos enquadrar o “fomento público”, “programas de aceleração” e “crowdfunding”, que somados correspondem a 26,8% do volume total.

Vale destacar que a Comissão de Valores Mobiliários – CVM flexibilizou um pouco as regras para crowdfunding de investimentos, aquecendo essa modalidade de investimento em startups no Brasil.

Outro gráfico importante do mapeamento da ABSTARTUPS indica que uma grande parcela dos investimentos fica entre 10 mil e 1 milhão de reais, “cheques” comuns em investimentos seed e pré-seed.

No geral, apesar do esfriamento do mercado de venture capital no mundo todo, percebemos que há uma tendência de investimentos pré-seed e seed no Brasil.

O apetite por risco dos investidores-anjos está gradualmente aumentando por aqui, o que é uma excelente notícia para as startups early stage.

Como se preparar para fazer captação de investimentos para startups no Brasil?

Um dos fatores determinantes para a captação de investimentos para startups no Brasil é a preparação dos empreendedores e o estabelecimento de uma rotina enquanto a rodada de investimentos está aberta.

Você não pode simplesmente esperar que os investimentos caiam do céu ou que os investidores fiquem batendo na sua porta querendo colocar dinheiro no seu negócio.

Os fundadores precisam ter uma postura extremamente proativa na captação, postura que é bem vista pelos investidores, inclusive.

Aqui está uma visão geral de como você pode se preparar para o processo de captação de investimentos:

  1. Identifique suas necessidades de financiamento: o primeiro passo no processo de captação de recursos é determinar de quanto financiamento você precisa, o que pode incluir financiamento para projetos específicos, contratação de pessoal ou expansão de seu negócio.
  1. Desenvolva um plano: uma vez que você tenha um claro entendimento de suas necessidades de financiamento, você precisará desenvolver um plano para comunicar seu negócio a potenciais investidores, preparar os números e documentos, criar um processo de contato e follow up.
  1. Identifique investidores em potencial: em seguida, você precisará identificar os potenciais investidores que possam estar interessados em seu negócio ou que tenham uma tese alinhada ao que você busca, especialmente se for smart money.
  1. Faça um pitch deck: tenha um pitch deck preparado, claro e objetivo, para comunicar seu negócio e seu potencial. Ter alguns números na ponta da língua também é uma boa prática.
  1. Negocie os termos do investimento: se um investidor estiver interessado em seu negócio, você precisará negociar os termos do investimento. Isso pode incluir o valor do financiamento a ser fornecido, a participação do investidor e quaisquer outras condições ou restrições.
  1. Feche o negócio com bons contratos: uma vez que você tenha chegado a um acordo com um investidor, você precisará finalizar o negócio e garantir o financiamento. Isso pode envolver a assinatura de um term sheet e, é claro, do contrato de mútuo conversível.

Se você não conhece o contrato de mútuo conversível ainda, vale a pena conferir o artigo que escrevemos a respeito desse assunto aqui.

Captar investimentos para startup exige tempo, dedicação e preparo

Em geral, o processo de captação de recursos demora. Por isso, é importante criar um relacionamento com os investidores mesmo antes de abrir uma rodada.

Falar com fundos e participar de processos de aceleração também é uma ótima oportunidade para conhecer potenciais investidores e apresentar o seu negócio.

Seja convincente, esteja pronto e confiante e, mais do que tudo, certifique-se de que a captação vai ser feita com um arranjo contratual adequado por meio de orientação jurídica, garantindo que o investimento-anjo não se torne um verdadeiro “inferno” no futuro.

Na dúvida, você pode sempre contar com o time da SAFIE, que já ajudou mais de 200 empresas e viabilizou a captação de 4.5 milhões em investimentos para startups em todo o Brasil.

Acesse o nosso site ou fale com o nosso time pelo whatsapp.

Últimas postagens

Antes de sair, agende uma reunião com o nosso time de especialistas.