O que você precisa saber para receber investimento anjo via SAFE?

A Y Combinator criou o safe (acordo simples para capital social futuro) no final de 2013 e, desde então, tem sido usado por quase todas as startups da aceleradora e inúmeras que não foram aceleradas por ela, vem saber como receber investimento anjo via SAFE.

Com o tempo, o SAFE se tornou o principal instrumento para captação de recursos em estágio inicial das empresas da aceleradora.

O primeiro Safe criado era “pre-money”, afinal, na época as empresas estavam captando rodadas menores. Já era, na época, uma maneira simples e rápida de conseguir o primeiro financiamento do negócio.

Em 2018 a YC lançou o SAFE post-money, ou seja, onde o Equity que o investidor recebe é determinado depois da entrada do capital da rodada onde  o safe foi usado, mas antes da próxima rodada. 

O SAFE post-money tem uma vantagem intrínseca , permite que fundadores e investidores calculem   imediatamente, e com precisão, o percentual da empresa vendido. Como falamos abaixo, é extremamente importante que os fundadores saibam quanta diluição é causada por cada rodada.

O SAFE possui dois recursos fundamentais que são extremamente importantes para as startups:

  • Permite a captação de recursos de forma muito rápida e com vários investidores ao mesmo tempo, no entanto,  sem depender um dos outros e ter contratos diferentes.
  • Economizam dinheiro para as Startups por terem padrões claros e uniformes, tornando  o trabalho dos advogados mais barato. Normalmente, startups e investidores terão que negociar apenas um item: o limite do valuation. 

O SAFE não deve ser usado em todas as situações, mas cobre uma GRANDE parte delas. Basta conhecer bem o instrumento e adequá-lo, e claro, consultar um advogado para te ajudar com isso.

Para te ajudar, definimos as 10 coisas que você precisa saber sobre o SAFE

10 coisas que você precisa saber sobre o SAFE

  1. SAFE significa ‘Simple Agreement for Future Equity” ou “acordo Simples para Equity (quotas/ações) no futuro”.

O SAFE é um documento criado pela Y Combinator nos Estados Unidos  para garantir que as empresas vão conseguir investimento de forma justa, e sem risco de perder o dinheiro, aportado ou tem que dar mais cotas do que o acordado para o investidor.

O documento é muito utilizado no mercado e é bem mais simples do que um investimento via contrato social, como é realizado com investimentos mais tradicionais.

  1. SAFEs não são ações, ele fornece para o investidor uma opção  acionária futura com base no valor que investido.

O SAFE funciona da seguinte forma: o investidor colocará  dinheiro na sua empresa e no futuro você dará  quotas para ele na forma de conversão desse dinheiro em participação acionária.

O fato dele ter investido na empresa não o torna um sócio, mas dá o direito de se tornar sócio no futuro por conta dessa conversão. 

Normalmente esse investidor nem entrará  na sociedade, ele vai simplesmente converter e já sair do negócio, vendendo suas quotas para  um fundo ou então para a própria empresa. 

  1. Não há garantia de retorno no investimento.

O SAFE, assim como o mútuo conversível, não dá garantias sobre o investimento realizado. 

Ele não necessariamente precisa ser devolvido pela empresa, apenas se houver uma conversão ou se acontecer algum tipo de ação onde dinheiro seja desvirtuado e lese a expectativa do investidor.

Normalmente o retorno está condicionado a outras rodadas de investimento, ou seja, rodadas de investimento futuras. Que é uma das coisas que chamamos  de gatilho para iniciar a conversão do investimento, da dívida,  se for o caso, em participação acionária.

  1. O Retorno só acontece se houver uma conversão do investimento em Ações/Quotas.

Esse investimento não pode ser exigido de outra forma a não ser pela conversão,  ou seja,  você não pagará  para o investidor em dinheiro e sim em cotas que ele pode vender posteriormente. 

Esse mecanismo serve não só para proteger o investidor, mas também para proteger a empresa em caso de falência ou quebra ocasionada  pela condução normal dos negócios.

  1. Os SAFEs não são todos iguais.

Está lidando com aquele investidor-anjo mais experiente? Faz  sentido para os dois utilizar o Safe para realizar investimento na sua empresa?

Bom, você terá que escolher algum deles. No próprio site da própria Y combinator a gente percebe que temos três tipos de safe:

  • Safe: Valuation Cap, no Discount –  nesse modelo existe um valor (valuation) máximo que a empresa pode atingir, para determinar a participação societária que o investidor terá direito no ato da conversão. Nesse caso não é aplicado um desconto sobre o valor da quota.
  • Safe: Discount, no Valuation Cap –  nesse caso temos  justamente o contrário do anterior,  ao invés de determinar até onde o valuation da empresa pode ir determinamos o valor de um desconto sobre a quota, o discount rate.
  • Safe: MFN, no Valuation Cap, no Discount – No caso de um Safe guiado pela most favorable Nation não há nem limitação de valuation, nem  para determinação dos Contos sobre a cota. Neste caso, ao investidor-anjo que assinou Safe Será aplicado os mesmos termos da próxima rodada ou dos próximos investidores.

  1. Saiba o que causa a conversão do seu SAFE.

É imprescindível que fundadores e investidores utilizem o safe para entender quais são as hipóteses de conversibilidade do documento. 

Essas hipóteses são traçadas no próprio documento, elas que determinam quando haverá  uma conversão – ou não – deste investimento em participação societária. 

Normalmente, essas hipóteses de dissolução  são padrões que não variam muito, no máximo acontecerá  a inclusão, talvez, de um valor  de conversão para que ele aconteça de forma mais eficiente para todos. 

No geral, são hipóteses de conversibilidade em um safe:

  • Troca de controle da companhia
  •  Obtenção de investimento em uma rodada Futura após assinatura do safe
  •  Compra da empresa por outra empresa
  1. Qual regra determina o quanto de participação o Investidor recebe.

Entender exatamente qual a regra que determina o quanto de participação você terá no seu investimento ou o quanto de participação seu investidor terá da sua empresa.

Esta  regra vem normalmente descrita  no próprio safe e ela pode ser post-money, ou seja, ela será aplicada já considerando o investimento realizado; ou o que chamamos de pre-money, onde a participação dela não contabilizará  para o investimento realizado pelo investidor.

  1. A Empresa pode comprar o SAFE do Investidor? Se sim, por quanto?

Uma característica bem observada em contratos de investimento é a possibilidade de recompra das cotas da empresa por ela mesma.

Essa cláusula determina que se tiver algum risco para o investidor, ou a empresa consiga bater um valor por quota específica, ela pode recomprar as cotas vendidas para o investidor.

  1. Quando a Empresa pode se dissolver/fechar.

Começar uma Startup é sempre muito difícil, mantê-la viva após dois anos é mais difícil ainda. Conforme a PWR, a maioria das empresas do Brasil fecha antes de completar esse período.

Por isso, é importante para o investidor, e para os fundadores, ter uma previsibilidade quando a empresa pode ser dissolvida. 

Essa possibilidade é classificada como uma hipótese de dissolução e, tanto no Safe quanto no mútuo conversível, precisam estar expressas para que o fundador possa tomar essa decisão, necessário ou não que um investidor seja notificado e concorde para que a empresa possa ser dissolvida.

Em alguns contratos de investimento anjo no Brasil, para uma empresa ser dissolvida é necessário a concordância do anjo, antes de o  ato ser consolidado.

  1.  O investidor tem direito a voto na empresa? 

Investidor é sócio? Ainda não, o investidor vira sócio, no caso do SAFE, após a conversão de seu investimento em quotas. 

Antes de haver essa conversão ele ainda não era sócio da empresa. 

A depender do que está previsto no contrato, ele pode votar junto aos fundadores normalmente. Pode ser que o investidor vincule alguns assuntos a sua votação para participar, conforme seu investimento, da deliberação neste tópico específico.

Porém, isso  tem que ser acordado no  contrato, seja ele safe ou mútuo conversível, afinal, a legislação brasileira e americana não tem uma previsão expressa sobre isso.

Se precisar de alguma ajuda para entender algo sobre o Safe, chama a gente aqui para conversar!


Últimas postagens

Antes de sair, agende uma reunião com o nosso time de especialistas.