
No artigo de hoje, vamos te mostrar como a captação de investimentos pode prejudicar sua startups quando ela passa a ser o único combustível da empresa.
Captar investimentos é uma etapa natural na trajetória de muitas startups.
No entanto, essa prática pode se tornar um obstáculo em vez de um catalisador para o crescimento.
Embora seja comum que empresas emergentes busquem recursos de venture capital para acelerar o desenvolvimento de produtos ou expandir suas operações, a captação desenfreada de investimentos pode trazer riscos significativos.
Concentrar-se excessivamente em rodadas de financiamento pode desviar a atenção do que realmente importa: a geração de receita e a construção de um negócio sustentável.
Como advogado especializado em startups, com experiência em diversas captações, afirmo com segurança: captar investimentos pode, sim, matar a sua startup.
Problemas da captação subsequente de investimentos
Aqui estão alguns problemas que observei em startups que optaram por captações subsequentes ou excessivas:
1. Desordem e complexidade no captable
Captações contínuas podem desorganizar o cap table (tabela de capitalização), diluindo a participação dos fundadores e dos primeiros investidores.
O cap table é um tema recorrente em minhas discussões, dada sua importância vital.
Cada nova rodada de investimento adiciona mais acionistas, tornando o cap table mais complexo e dificultando sua gestão.
Essa complexidade pode reduzir o potencial de retorno para os principais envolvidos no negócio, comprometendo a viabilidade futura da startup.
2. Risco de “vício em captação”
Outro risco é o que chamo de “vício em captação”.
Quando uma startup começa a depender de rodadas frequentes de investimento, há um risco de perder o foco na geração de receita.
Ver o dinheiro de investidores fluindo sem a pressão dos juros bancários pode criar uma falsa sensação de segurança, parecida com o efeito de um vídeo viciante nas redes sociais.
Se essa prática se tornar um padrão e a geração de receita não acompanhar, a startup pode se encontrar em uma situação delicada, especialmente se tiver um alto burn rate (queima de caixa).
O foco dos fundadores deve ser na criação de uma base sólida de receita, não na dependência de capital externo.
O financiamento deve ser uma parte de uma estratégia de crescimento, e não o objetivo principal da empresa.
3. Diluição da participação e impacto na liquidez
Captações frequentes podem levar à diluição da participação dos fundadores e, consequentemente, ao enfraquecimento do cap table.
Isso não apenas torna a startup menos atraente para futuros investidores, mas também pode prejudicar o valuation (valor de mercado) da empresa e sua capacidade de escalar.
O maior risco de um cap table super diluído é a diminuição do potencial de liquidez da startup como ativo financeiro.
Após anos de trabalho duro, o fundador pode realizar um exit (venda da empresa) sem colher os frutos esperados.
A importância do bootstrapping
Manter uma startup autofinanciada (bootstrapped) por mais tempo oferece vantagens significativas.
Uma empresa que consegue gerar receita própria e crescer sem depender de capital externo preserva maior controle sobre suas operações e decisões estratégicas.
Além disso, essa abordagem evita a diluição da participação dos fundadores, proporcionando flexibilidade para decidir quando e como buscar investimentos externos.
A geração de receita deve ser a prioridade de qualquer startup.
Demonstrar a viabilidade do negócio por meio de receitas próprias fortalece a posição da empresa em negociações futuras com investidores, oferecendo melhores condições e valorização.
Captação de investimentos: a importância da preparação
Antes de buscar investimentos de venture capital, faça uma avaliação honesta da sua empresa.
Pergunte-se: estou construindo um negócio com perfil para captação de venture capital?
Se a resposta for afirmativa, mesmo que você não planeje abrir uma rodada agora, é importante começar a se preparar para isso.
Uma boa preparação pode começar com a organização de um Data Room.
A captação de recursos deve ser uma ação estratégica, inserida em um plano de crescimento claro e bem definido.
Concentre-se em fortalecer os pilares essenciais para o crescimento da empresa: produto, equipe, clientes e receita.
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Desde a importância da data de vencimento até as cláusulas de preferência e métodos de conversão, abordamos os pontos cruciais que os fundadores precisam entender para garantir segurança jurídica durante o processo de captação de investimento.
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